Sobre as Redes
Já está mais do que na hora de medidas energéticas para coibir o uso de imagens de crianças e adolescentes por pais que decidiram transformar da vida de seus filhos um palanque para ascensão nas Redes Sociais.Desde exposições que podem atrair predadores, até situações humilhantes e vexatórias, até relatos do cotidiano envolvendo a rotina do filho: eu não vejo com bons olhos nenhuma das situações.
Vou ser polêmica em citar que não gosto sequer do conteúdo sobre maternidade, pois se torna uma exposição dolorosa a um filho que fica sabendo que a sua existência é um estado de carma que a sua existência passou a proporcionar para a sua mãe.
Enquanto as outras crianças tem a sua privacidade e intimidade protegidas, criadores e criadores de conteúdo usam das experiências de vida de seus filhos para criar conteúdo expondo-os aos mais variados sentimentos e situações que podem comprometer a sua vivência no mundo exterior fora de casa.
Uma forma covarde e desonesta contra um ser dependente e que não tem para onde ir. Sua sobrevivência depende da provisão dadas pelos pais. A criança não pode pleitear "eu te proíbo de usar a minha imagem e a minha experiência, ou acionarei meus advogados" tal como fazem adultos conscientes de seus direitos.
Vamos analisar por outras óticas para validar esse ponto: se no trabalho seu chefe ou até mesmo um colega de trabalho cometesse um erro, você não iria para as redes sociais expor esse colega, sob risco de uma demissão por justa causa, afinal, você comprometeu a imagem da empresa.
As pessoas pensam muitas vezes ao expor relacionamentos, porque sabem que podem perder o parceiro e exemplo é o que não flta de casais que romperam porque uma das partes - ou as duas - decidiram expor intimidades e hábitos de seus pares.
O mesmo vale para amigos: você não sai por aí expondo os podres, porque pode ser retaliado e ter seus podres expostos.
Então, se tomamos tanto cuidado sobre o que iremos expor nas Redes Sociais quando se trata de uma adulto, porque a mesma premissa não está sendo levada em consideração quando se trata de crianças?
Para mim, a situação é ainda mais agravada, porque cabe aos pais proteger essas crianças, mas foram justamente eles os primeiros a expor e explorar seus filhos das mais sórdidas maneiras em proveito próprio, uma vez que sequer fica com a criança o valor conseguido por esses pais pelo conteúdo produzido na internet.
Dos casos mais recentes que escandalizaram a sociedade brasileira, tivemos a Virgínia Fonseca expondo uma foto do filho com sondas enquanto ele se recupera. Sua intenção era única e somente ganhar notoriedade ou fama às custas do filho fragilizado.
Dos casos mais absurdos, mães que no auge do YouTube vetavam suas filhas de festas infantis e afins, pois para participar de festinhas dos coleguinhas, a youtuber mirim famosinha cobrava para isso. Logo, nada de festas das colegas da escolas. Enquanto isso, mamã e papai comprando casas e carros com o canal que criaram para explorar a imagem da filha.
Do caso ainda mais extremo, o caso de Gipsy Rose, uma menina em que a mãe a adoecia intencionalmente após descobrir que uma doença na criança atraía atenção e holofotes. Para se livrar da mãe, Gipsy planejou a sua morte e foi presa por isso. Nunca teve uma vida normal e é notório que ela tem alguns desvios lógicos após viver em liberdade, afinal, toda a sua vida em uma prisão: a mãe que a mantinha presa em cadeiras de rodas por uma doença e depois o presídio.
Do caso ainda mais extremo, Ruby Franke, uma mãe youtuber que explorava a rotina da família e seus 8 filhos. O caso chocou os EUA e também muita gente no Brasil que soube do caso, porque um de seus filhos conseguiu sair do cativeiro em que foi mantido e perdir ajuda a um vizinho. O menino tinha marcas nos punhos e tornozelos, estava magro, desnutrido e desidratado. Os irmãos mais velhos foram se afastando da família conforme ficavam maiores de idade, deixando os menores a mercê da mãe controladora e abusiva. Ruby dava dicas de como criar os filhos e foi presa junto com a sócia e psicóloga na casa onde mantiveram as crianças cativas.
Posse elencar muitos outros exemplos de arrepiar a cabeça.
Mas toda a hora somos escandalizados vendo pais abusarem de seus filhos e nada ser feito!
Se crianças não podem acessar e criar conteúdo, não deveriam ter suas imagens expostas também. É um contrassenso permitir a exploração de suas imagens e vidas em espaços que elas sequer podem logar.
Há de se proteger as crianças, mesmo de seus pais!
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