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A Colmeia: O Início - Capítulo 22.
Nossa sociedade se pautou no modelo das abelhas e isso impactou até na arquitetura.
Fizemos muros octogonais pois dessa forma, as torres conseguiam se comunicar efetivamente entre elas e o campo de visão proporcionava um bom campo de visão.
Ora, se todos já haviam sido aniquilados, então, porque muralhas?
Não havia certezas se tínhamos feito a limpa e havia trauma demais embutidos em nossas almas.
A insegurança ainda nos amedrontava naquele momento.
Caberia às gerações futuras crescerem sem essa carga dentro de si, já que todo mal do mundo havia sido, finalmente expurgado.
No dilúvio, Deus errou quando poupou Noé.
Devia ter poupado somente as mulheres e expurgado todo o mal do mundo.
Amém!
E bem sabemos que Ele se arrependeu, porque ele simplesmente disse!
Aparentemente nem Deus está livre de erros.
Que se dirá nós.
Nossos temores, por fim, se concretizaram.
Haviam os que tinham escapado.
Mas a invés de manterem nas sombras, sua arrogância foi tanta que eles vieram ao nosso encontro.
Foram as mães e esposas que fugiram com os seus homens.
A arrogância era tanta que eles tinham certeza de que conseguiriam nos dominar.
A nossa inteligência conseguiu captar os planos bem antes, pois, no auge do seu senso de superioridade, acharam boa ideia se comunicar via rádio em uma linha não protegida acreditando que não dominávamos a tecnologia.
Entre as conversas, ouvíamos eles dizendo que fariam roda sorte de barbaridade quando nos derrotassem.
Eram explícitos quanto a isso e descreviam o que fariam conosco como comemoração de sua vitória.
Se até aquele momento fizemos o possível para termos um mínimo de humanidade na nossa aniquilação, aquele sentimento acabou.
Na interceptação, ouvia-se as voz das mulheres dando ideias da mais terrível crueldade que se possa imaginar.
Naquele momento, tivemos certeza que fizemos certo ao aniquilar os que se opuseram aos nossos planos.
Traçamos nossa estratégia e apenas aguardamos.
Sem tirar nem por, eles fizeram exatamente como previmos que fariam.
Caíram na emboscada.
E todos, sem exceção, sofreram tudo aquilo que disseram que fariam conosco.
Tínhamos a lista nas mãos e lemos sua condenação em voz alta para que todos soubessem o que lhes aguardava.
Homens e mulheres.
Teriam igual sentença.
E seriam forçados a ver as seções das pessoas que amavam.
Mãe via a tortura do filho, o filho da mãe, a esposa do marido e vice-versa, amigas de amigas e amigos de amigos: todos testemunharam a si mesmo, pois encerradas as seções, eram forçados a assistir as gravações.
Sorte teve o que morreu primeiro.
Azar o que sucumbiu por último.
Foram 6 meses até que todos fossem aniquilados.
Há de se ter cuidado com aquilo que se deseja ao outro, pois aquilo que desejamos em nosso íntimo diz respeito somente ao que acontecerá com nós mesmos.
Se eles tivessem se escondido e ficado quietos, nada disso teria acontecido.
Mas o veneno que corria em suas veias se espalhou pelo coração e quando é assim, a única certeza é a uma morte lenta e dolorosa.
E foi!
Antes eles do que nós.
Diário da Anciã. Parte 22.
------ Fim do Capítulo 22 de "A Colmeia: O Início".
Plágio é crime previsto pela Lei 9.610/98 e medidas cabíveis serão tomadas em caso de apropriação indevida.
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