Paralelismo
Essa semana no nosso desafio semanal, eu comentei na postagem explicativa da terça-feira sobre o Paralelismo.
Para elucidar do que se trata o Paralelismo, segue o conteúdo do site Brasil Escola escrito pelo professor de Redação Rafael Camargo de Oliveira. Selecionei somente o primeiro trecho, mas recomendo fortemente que vocês leiam a matéria na íntegra e assistam a videoaula disponível.
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O paralelismo corresponde a uma sequência simétrica que integra uma oração. Ele tem como objetivo o aprimoramento da coesão e coerência textuais.
O paralelismo é a relação de simetria no texto, seja em seu aspecto morfossintático, seja semântico. Ele estabelece nexo entre textos no plano linguístico, isto é, por meio dos elementos de coesão e coerência formalizados na escrita. Não se trata necessariamente de uma regra da gramática, e sim de uma diretriz de ordem estilística.
RESUMO SOBRE PARALELISMO.
O paralelismo é a diretriz estética que promove simetria de ideias, estruturas verbais ou segmentos textuais.
As relações simétricas no texto podem ocorrer no âmbito da função (morfossintaxe) ou no sentido (semântica).
Alguns dos problemas mais comuns envolvendo o paralelismo se dão quanto à utilização de termos de uso duplo e quanto ao uso de tempos verbais.
O paralelismo não constitui propriamente uma regra gramatical. Assim, na literatura e nas artes, por exemplo, o seu uso/não uso visa produzir determinados efeitos de sentido no texto.
O que é paralelismo?
Segundo a Gramática Houaiss da Língua Portuguesa, paralelismo é a relação de correspondência ou simetria no texto feita entre ideias, estruturas verbais ou segmentos textuais que funcionam de maneira coordenada na composição de um enunciado.
Em outras palavras, o paralelismo estabelece uma relação de simetria no texto, podendo ocorrer em sua composição morfossintática ou semântica. Vejamos os exemplos a seguir:
É impossível entender a legislação porque ora ela concede autonomia ao sujeito e em determinados momentos parece cercear as escolhas de cada um.
É impossível entender a legislação porque ora ela concede autonomia ao sujeito ora ela parece cercear as escolhas de cada um.
Nesse exemplo, a quebra na estrutura da oração ocorre quando, ao estabelecer um elo de coordenação com ideia de alternância, usam-se dois elementos distintos (“ora” e “em determinados momentos”) em vez da repetição da coordenada alternativa (“ora… ora…”), que promove simetria.
Meu sonho é: estudar, trabalhar e descanso.
Meu sonho é: estudar, trabalhar e descansar.
Nesse segundo exemplo, ao enumerar os sonhos em questão, temos uma perda da simetria a partir do uso de classes gramaticais distintas — verbo (estudar e trabalhar) e substantivo (descanso). O ideal seria que todas as palavras na enumeração fossem verbos, como se verifica no segundo caso.
Tipos de paralelismo
De acordo com o gramático Cegalla, o paralelismo pode ser classificado nos seguintes tipos:
→ Paralelismo sintático
Paralelismo sintático é entendido como a perfeita correlação na estruturação sintática da frase em uma sequência de enumeração ou exemplificação.
Exemplos:
O formulário está disponível no endereço eletrônico e sede da loja.
Acima, a construção apresenta-se sem paralelismo sintático, visto que a preposição no é utilizada em um determinado momento e não em outro, provocando assimetria.
O formulário está disponível no endereço eletrônico e na sede da loja.
Ao adequar a sentença acima, percebe-se uma organização simétrica dentro dos aspectos coesivos que formulam o trecho.
→ Paralelismo morfológico
Paralelismo morfológico é entendido como o perfeito uso de classes gramaticais na frase em uma sequência de enumeração ou exemplificação.
Exemplos:
Proibido fumar e comida no local.
O exemplo acima apresenta uma sentença com duas classes gramaticais diferentes (verbo e substantivo, respectivamente), não havendo um paralelismo morfológico.
Proibido fumar e comer no local.
O paralelismo pode ser obtido ao transformar o substantivo em verbo (comida — comer). Há ainda uma segunda possibilidade:
Proibido fumar e entrar com comida no local.
→ Paralelismo semântico
Paralelismo semântico é a correlação entre um conjunto de ideias considerando a composição lógico-semântica na frase.
Exemplos:
Amo Beatles, Legião Urbana e Machado de Assis.
O enunciador da frase acima estabelece um campo de significação que envolve o universo de gostos musicais (Beatles e Legião Urbana), mas acrescenta um elemento estranho e ausente ao grupo semântico, o escritor Machado de Assis.
Amo Beatles, Legião Urbana e Pink Floyd.
Uma alternativa seria trocar o termo destoante (Machado de Assis) por outro que componha a associação de significados estabelecidos (Pink Floyd), mantendo a ligação com o universo musical. Porém, outra possibilidade seria marcar, por meio do uso de verbos, a diferença entre os elementos, o que passaria a ser um paralelismo morfológico:
Amo ouvir Beatles e Legião Urbana e ler Machado de Assis.
Vejamos a seguir outra situação de paralelismo semântico:
Eles ganharam o jogo e perderam a cabeça.
Na oração acima, há uma quebra no sentido ao estabelecer uma relação física (jogar uma partida de futebol) e psicológica (perder a concentração e brigar). Portanto, não há igualdade entre os termos da sentença.
Eles ganharam o jogo e levantaram a taça.
De forma distinta do exemplo anterior, as ideias de vencer uma partida e uma competição estão semanticamente conectadas.
(...)
Paralelismo na literatura e nas produções artísticas
O paralelismo não constitui propriamente uma regra gramatical rígida. Na verdade, ele é uma diretriz de ordem estilística. Há, portanto, uma série de usos/não usos propositais a fim de se obter determinado efeito de sentido com o enunciado.
Assim, a literatura e as artes fazem lançam mão (ou não) do paralelismo a fim atingir certas reações de seu receptor. A música e a poesia, por exemplo, fazem associações rítmicas e repetições entre palavras produzindo efeitos de sequencialidade e dando tons de musicalidade ao texto.
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
(“Canção do vento e da minha vida”, Manuel Bandeira)
No poema de Manuel Bandeira há uma série de repetições:
- de termos (vento, varria, frutos, folhas e flores);
- de estrutura (O vento varria…);
- de conteúdos fônicos (-ava, -eia, -as, -os);
- de tempos verbais (varria, ficava, cheia).
No trecho acima, percebemos que o uso proposital da repetição de estruturas sugere uma ideia de ciclo. Assim, à medida que o tempo se esvai no poema, mais a plenitude da vida é evidenciada.
Se você gritasse,
Se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
(“E agora, José?”, Carlos Drummond de Andrade)
No poema de Carlos Drummond de Andrade, há a construção de uma sequência rítmica por meio da terminação dos verbos no subjuntivo em -sse. Seu uso sequencial transmite uma ideia de compasso.
O exemplo acima, junto do anterior, corresponde ao uso do paralelismo a partir dos seus elementos morfossintáticos para a produção de novos efeitos. Há, ainda, o uso semântico, que proporciona uma assimetria proposital. Vejamos o exemplo do trecho abaixo:
Eduardo e Mônica era nada parecido
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
(“Eduardo e Mônica”, Legião Urbana)
A canção, ao tratar das diferenças de cada uma das partes, evidencia que Mônica era do signo de leão e Eduardo tinha 16 anos. A sentença trata de conceitos distintos; sendo assim, do ponto de vista semântico, deveria ser considerada incorreta.
Porém, como dito anteriormente, o paralelismo é de ordem estilística. Nesse contexto, portanto, a música citou conteúdos diferentes para evidenciar a assimetria entre os personagens.
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Muito boa a explicação e eu acredito que já tenha dado para compreender a necessidade de se levar em consideração o Paralelismo, seja para manter o estilo e a simetria, que é a proposta original, seja usá-lo justamente com uma forma de evidenciar o oposto, a assimetria, como muito bem exemplificado na música "Eduardo e Mônica" do Legião Urbana.
Agora, iremos falar do paralelismo entre os versos, que foi o que eu citei no Desafio de terça-feira.
PARALALISMO DOS VERSOS:
Algo que sempre acontece quando as pessoas sabem que eu sou compositora, é que elas querem que eu coloque melodia em suas letras que nem foram escritas com o intuito de serem músicas, mas as pessoas acham bonito e pensam "hum, daria uma boa música" e, como eu já disse uma vez, é!, até dá para fazer - dá para botar melodia em texto de receita -, só que você fala "ah, vai ter que mexer" e a pessoa logo se dói "ai, mas já quer mexer?", sendo que, sim, tem que mexer na estrutura, porque você praticamente me entregou um texto em prosa e eu preciso organizar os versos e a métrica e o ritmo para que a sua letra, que você escreveu sem nenhuma técnica e sem levar em consideração receber uma melodia, poder virar uma letra de música.
Falei, tô leve!Por isso, principalmente nas Partes (A, B, C, D, etc), é importante que você mantenha o Paralelismo entre elas, porque, a rigor, as Partes são a variação de uma mesma coisa. Ou seja, a melodia e ritmo tendem a serem iguais nas Partes alterando a letra, enquanto muda-se melodia e ritmo no Pré-Refrão, Refrão e Especial.
Logo, se você vai fazer a rima na Parte A que seja:
VERSO 1: A
VERSO 2: ∅
VERSO 3: ∅
VERSO 4: A
Mantenha a rima onde você rimou também nas Partes C, D, E, etc.
VERSO 5: B
VERSO 6: ∅
VERSO 7: ∅
VERSO 8: B
É claro que você pode fazer algo diferente, mas é importante que você compreenda: para fazer isso, você TEM que saber fazer isso e não apenas sair fazendo só porque você é um antissistema (aliás, se for o caso, pare!).
O mesmo valerá se você fizer variações de Pré-Refrão e Refrão, ou seja, se você fizer apenas pequenas mudanças da letra, mas mantendo a melodia referente ao Pré-Refrão e ao Refrão.
Guarde essa informação com muito carinho para criar as suas obras.
A gente se vê na próxima aula e esse é um material complementar e gratuito ao meu curso que te ensina a escrever Letra de Música na prática, o "Método Natacha Macsan: Escrevendo Letra de Música". Clique na imagem abaixo e comece agora mesmo a escrever as trilhas sonoras da sua vida ou da vida dos outros também, porque não precisa ser sobre você. Até a próxima aula.
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